Primeira consulta com psicólogo infantil: como é

Psicóloga infantil brincando com menino em uma mesa na sala de atendimento da Por Trás das Letras

Decidir levar o filho ao psicólogo costuma vir acompanhado de dúvidas e, às vezes, de um pouco de culpa. Muitos pais adiam a primeira consulta com psicólogo infantil porque não sabem o que vai acontecer na sala, se a criança vai ser “rotulada” ou se a família vai ser julgada. A boa notícia é que esse primeiro encontro é, acima de tudo, uma conversa para entender a criança e a família. Neste texto, explicamos como ele costuma funcionar, o que as pesquisas mostram sobre a eficácia da terapia e como preparar seu filho.

Como funciona a primeira consulta com psicólogo infantil?

Na maioria dos casos, o primeiro encontro é dedicado aos pais ou responsáveis. É o momento de contar o que está preocupando, desde quando, em quais situações acontece e o que a família já tentou. O psicólogo também pergunta sobre a gestação, o desenvolvimento, o sono, a alimentação, a escola, as amizades e a rotina da casa. Esse levantamento é chamado de anamnese, que nada mais é do que a história de vida da criança contada por quem convive com ela.

Nos encontros seguintes, a criança participa. Com os pequenos, a avaliação acontece principalmente pelo brincar: jogos, desenhos, bonecos e histórias ajudam a observar como a criança pensa, sente e se relaciona. Com crianças maiores, a conversa ganha mais espaço. Em alguns casos, o psicólogo pode pedir informações da escola ou usar questionários padronizados, que são instrumentos com perguntas já testadas em pesquisas.

Ao final dessa etapa inicial, a família recebe uma devolutiva: uma explicação do que foi observado, se há indicação de acompanhamento, quais são os objetivos e com que frequência as sessões devem acontecer.

O que levar e como se preparar?

Alguns cuidados simples deixam o primeiro encontro mais produtivo:

  • Anote exemplos concretos do comportamento que preocupa, com data, situação e como terminou.
  • Leve relatórios da escola, de outros profissionais e exames, se houver.
  • Pense em perguntas que você quer fazer, por exemplo sobre duração do tratamento e participação dos pais.
  • Se possível, os dois responsáveis devem participar, mesmo que um deles por vídeo.

O que dizer para a criança antes da consulta?

A sinceridade funciona melhor do que o segredo. Evite dizer que é “um passeio” ou usar o psicólogo como ameaça (“se não se comportar, vai para o psicólogo”). Uma frase simples ajuda: “Vamos conhecer uma pessoa que ajuda crianças e famílias a lidar com sentimentos difíceis. Lá tem brinquedos e vocês vão conversar e brincar.” Para crianças que têm dificuldade de falar sobre o que sentem, vale ler nosso texto sobre como as emoções viram comportamento.

O que as pesquisas mostram sobre a terapia infantil

A psicoterapia infantil não é apenas uma conversa acolhedora: as abordagens mais usadas hoje foram testadas em muitos estudos controlados. Alguns achados importantes:

  • A terapia cognitivo-comportamental (TCC) funciona para ansiedade. Uma revisão Cochrane com 87 ensaios clínicos e cerca de 6 mil crianças e adolescentes mostrou que 49,4% dos que fizeram TCC deixaram de ter o diagnóstico principal de ansiedade ao fim do tratamento, contra 17,8% dos que ficaram em lista de espera. Em média, a cada 3 crianças tratadas, uma melhora que não teria melhorado sem a terapia (James et al., 2020).
  • A participação dos pais faz diferença. Uma metanálise de 48 estudos comparou o atendimento só da criança com tratamentos que incluíam os pais. Os tratamentos com os pais tiveram resultados melhores, com um efeito adicional moderado (d = 0,27) (Dowell e Ogles, 2010).
  • O treino parental ajuda no comportamento. Em 77 estudos com crianças de 0 a 7 anos, programas que ensinam estratégias aos pais tiveram efeito positivo sobre os problemas de comportamento (Kaminski et al., 2008).

Por isso, uma terapia infantil de qualidade costuma incluir os pais: eles recebem orientações para aplicar em casa, o que acelera e sustenta os ganhos. Saiba mais sobre como funciona a terapia comportamental na infância.

Quando procurar um psicólogo infantil?

Nem toda fase difícil precisa de terapia, mas alguns sinais merecem uma avaliação:

  • Mudança de comportamento que dura mais de 4 semanas, como irritação, tristeza ou isolamento.
  • Medos ou preocupações que impedem a criança de ir à escola, dormir sozinha ou brincar com outras crianças.
  • Birras intensas e frequentes depois dos 5 anos, ou agressividade que se repete.
  • Queda no rendimento escolar ou queixas frequentes da escola.
  • Eventos difíceis, como separação dos pais, luto, mudança de cidade ou chegada de um irmão, seguidos de mudança de comportamento.
  • Dores de barriga ou de cabeça frequentes sem causa médica encontrada.

Se você ainda está em dúvida, veja nosso guia sobre quando levar o filho ao psicólogo. Quando há suspeita de dificuldades de atenção ou aprendizagem, o psicólogo também pode indicar uma avaliação neuropsicológica.

Quanto tempo dura o tratamento?

Depende do motivo da procura e da criança. Protocolos de TCC para ansiedade estudados em pesquisas costumam ter entre 10 e 20 sessões, mas cada plano é individual. O mais importante é que os objetivos sejam claros desde o início e que a família receba retornos periódicos sobre a evolução. Se você procura um psicólogo infantil em Moema, nossa equipe pode ajudar a definir o melhor caminho.

Perguntas frequentes

Meu filho precisa estar junto na primeira consulta com o psicólogo?

Em geral, não. O primeiro encontro costuma ser só com os pais ou responsáveis, para que possam falar com liberdade sobre a história e as preocupações. A criança participa a partir das sessões seguintes, quando o psicólogo usa brincadeiras, desenhos e conversas para conhecê-la melhor. Pergunte ao agendar como a clínica organiza essa etapa.

Com que idade a criança pode fazer terapia?

Não existe idade mínima. Crianças pequenas, a partir de 2 ou 3 anos, já podem ser avaliadas, e nessa fase o trabalho envolve bastante os pais, com orientação e treino parental. Para os pequenos, a terapia acontece principalmente pelo brincar, que é a forma natural de a criança se expressar e aprender.

Os pais participam da terapia infantil?

Sim, e isso é uma vantagem. Estudos mostram que tratamentos que incluem os pais têm resultados melhores do que o atendimento só da criança. Os pais recebem orientações práticas para usar em casa, acompanham a evolução e ajudam a manter os ganhos. A frequência dessa participação varia conforme cada caso e a idade da criança.

Psicólogo infantil em Moema

Se você percebeu que seu filho precisa de ajuda, não é preciso esperar o problema crescer. Na primeira conversa, nossa equipe escuta a família, entende a rotina da criança e explica com clareza os próximos passos. Trabalhamos com abordagens de maior evidência científica, como a terapia cognitivo-comportamental e a orientação e o treino parental. A Por Trás das Letras fica na Av. Iraí, 393, conj. 104, em Moema, zona sul de São Paulo, e reúne fonoaudiologia, psicologia, terapia ocupacional, audiologia e pediatria no mesmo lugar. Conheça nosso serviço de psicologia infantil ou fale com a nossa equipe pelo telefone (11) 93044-4929.

Referências

  • James AC, Reardon T, Soler A, James G, Creswell C. Cognitive behavioural therapy for anxiety disorders in children and adolescents. Cochrane Database Syst Rev. 2020;(11):CD013162. doi:10.1002/14651858.CD013162.pub2
  • Dowell KA, Ogles BM. The effects of parent participation on child psychotherapy outcome: a meta-analytic review. J Clin Child Adolesc Psychol. 2010;39(2):151-62. doi:10.1080/15374410903532585
  • Kaminski JW, Valle LA, et al. A meta-analytic review of components associated with parent training program effectiveness. J Abnorm Child Psychol. 2008;36(4):567-89. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/18205039/

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