Febre infantil: quando ir ao pronto-socorro

Dra. Larissa, pediatra da clínica Por Trás das Letras em Moema, de jaleco branco

A febre infantil é um dos motivos que mais levam pais ao pronto-socorro, muitas vezes de madrugada e com muita preocupação. É natural: ver o filho quente, abatido e chorando assusta. Mas a ciência mostra que, na maioria das vezes, a febre é uma aliada do organismo, e não a inimiga. O mais importante é saber observar a criança e reconhecer os sinais que realmente pedem atendimento rápido.

O que é febre e por que ela acontece?

Febre é o aumento da temperatura do corpo, em geral considerada a partir de 37,8 °C medidos na axila (alguns serviços usam 38 °C). Ela acontece porque o cérebro “ajusta o termostato” para cima em resposta a uma infecção, na maioria das vezes causada por vírus, como resfriados e viroses comuns.

Segundo o relatório clínico da Academia Americana de Pediatria (AAP), a febre não é a doença em si, mas um mecanismo de defesa que ajuda o corpo a combater a infecção (Sullivan e Farrar, 2011).

O que as pesquisas mostram

As principais diretrizes sobre febre em crianças trazem mensagens que ajudam a diminuir o medo e a focar no que importa:

  • Não há evidência de que a febre por infecção cause dano cerebral. O relatório da AAP reforça que a febre, em si, não piora a evolução da doença (Sullivan e Farrar, 2011).
  • O objetivo do tratamento é o conforto, e não zerar o termômetro. Antitérmicos servem para aliviar o mal-estar, e não é preciso acordar a criança que dorme bem só para medicar (Sullivan e Farrar, 2011).
  • Antitérmicos não previnem convulsão febril. Os estudos não mostraram que baixar a febre reduza a chance de a criança ter uma convulsão febril (Sullivan e Farrar, 2011).
  • Alternar ou combinar remédios não é recomendado como rotina, porque não traz benefício claro no conforto e aumenta o risco de erro de dose (Sullivan e Farrar, 2011). Qualquer medicação deve seguir a orientação do pediatra, de acordo com o peso da criança.
  • A idade e o estado geral contam mais que o número. A diretriz britânica do NICE para febre em menores de 5 anos usa um sistema de “semáforo” que avalia cor da pele, atividade, respiração, hidratação e outros sinais. Bebês com menos de 3 meses e temperatura de 38 °C ou mais estão no grupo de alto risco, e entre 3 e 6 meses, febre de 39 °C ou mais também pede avaliação (NICE, 2019).

Como medir a temperatura corretamente?

Prefira o termômetro digital, colocado na axila seca por todo o tempo indicado pelo aparelho, até o sinal sonoro. Em bebês menores de 4 semanas, a medida na axila é a mais indicada. Evite termômetros de mercúrio, que podem quebrar, e não confie apenas na mão na testa: a sensação de “quentinho” engana. Meça de novo se a criança acabou de sair do banho, de mamar ou de brincar muito.

Como cuidar da criança com febre em casa?

  • Ofereça líquidos com frequência: água, leite materno, sucos naturais e sopas.
  • Deixe a criança com roupas leves e o ambiente arejado. Não é preciso agasalhar nem dar banho gelado.
  • Use o antitérmico apenas se ela estiver desconfortável, sempre conforme a orientação do pediatra e com a dose calculada pelo peso.
  • Observe o comportamento quando a febre baixa: uma criança que volta a brincar e interagir costuma estar bem.
  • Anote os horários da febre e dos remédios para evitar repetições e para informar o médico.

Quando a febre é perigosa? Quando procurar

Procure atendimento de urgência imediatamente se a criança apresentar:

  • Idade menor que 3 meses com temperatura de 38 °C ou mais.
  • Pele, lábios ou língua pálidos, acinzentados, azulados ou com manchas arroxeadas.
  • Manchas vermelhas ou roxas que não somem quando você pressiona a pele com um copo de vidro.
  • Muita sonolência, dificuldade para acordar ou choro fraco, agudo ou contínuo.
  • Respiração muito rápida, com gemido ou “afundando” as costelas.
  • Sinais de desidratação: boca seca, recusa total de líquidos, pouca urina, moleira funda.
  • Rigidez no pescoço, moleira estufada ou convulsão.

Marque uma consulta com o pediatra em até 24 horas se:

  • A criança tem entre 3 e 6 meses e febre de 39 °C ou mais.
  • A febre dura mais de 3 dias, ou está presente há 5 dias ou mais (NICE, 2019).
  • Ela não volta a brincar e interagir mesmo quando a febre baixa.
  • Há dor de ouvido, dor ao urinar, inchaço em articulações ou outros sintomas novos.
  • Você sente que algo está diferente. A percepção dos pais é valorizada pelas diretrizes.

Em bebês com chiado e dificuldade para respirar, leia também nosso texto sobre bronquiolite em bebês. E lembre-se de que o acompanhamento regular ajuda a prevenir muitas infecções, como explicamos em consulta de rotina com o pediatra e vacinação infantil.

Perguntas frequentes

Qual temperatura é considerada febre em criança?

Em geral, considera-se febre a temperatura a partir de 37,8 °C medida na axila, e alguns serviços usam 38 °C como referência. Mais importante que o número é observar o estado geral da criança: se ela brinca, se alimenta e interage quando a febre baixa, costuma ser um bom sinal.

Febre alta pode causar convulsão?

Algumas crianças pequenas, geralmente entre 6 meses e 5 anos, podem ter convulsão febril. Ela assusta, mas costuma ser breve e sem sequelas. Os estudos mostram que dar antitérmico não previne a convulsão febril. Toda primeira convulsão, porém, deve ser avaliada por um médico com urgência.

Quantos dias de febre são normais em uma virose?

Na maioria das viroses, a febre dura de 2 a 3 dias. Se passar de 3 dias, deve ser avaliada pelo pediatra, e febre por 5 dias ou mais é sinal de alerta nas diretrizes internacionais. Bebês menores de 3 meses com febre precisam de avaliação médica imediata, independentemente da duração.

Pediatra em Moema

Se o seu filho tem febres frequentes ou você quer orientações claras sobre como agir em casa, uma consulta com a nossa pediatra ajuda a montar um plano de cuidado e a acompanhar o crescimento e o desenvolvimento da criança de perto. A Por Trás das Letras fica na Av. Iraí, 393, conj. 104, em Moema, zona sul de São Paulo, e reúne fonoaudiologia, psicologia, terapia ocupacional, audiologia e pediatria no mesmo lugar. Conheça nosso serviço de pediatria ou fale com a nossa equipe pelo telefone (11) 93044-4929.

Referências

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