A desatenção escolar é uma das queixas mais comuns trazidas por pais e professores. Quando a criança parece “no mundo da lua”, perde instruções ou demora para concluir tarefas, é natural surgir a dúvida: isso é normal ou pode ser TDAH?
Entender essa diferença é fundamental para evitar rótulos precipitados e garantir que a criança receba o suporte adequado.
O que pode estar por trás?
Nem toda dificuldade de atenção indica um transtorno. A desatenção na escola pode estar relacionada a diversos fatores do dia a dia, como:
Sono insuficiente, excesso de estímulos (telas, barulho, rotina desorganizada), dificuldades de aprendizagem, ansiedade infantil, problemas emocionais, falta de interesse pelo conteúdo, momentos de estresse familiar.
Nesses casos, a dificuldade costuma ser situacional. A criança pode se concentrar bem em atividades que gosta, mas perde o foco em tarefas menos motivadoras. Além disso, esse comportamento pode variar de acordo com o ambiente, o dia ou a fase que está vivendo.
O que caracteriza o TDAH?
O Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) é diferente. Ele se caracteriza por um padrão persistente de desatenção, impulsividade e/ou hiperatividade, que:
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aparece em mais de um ambiente (casa, escola, atividades sociais)
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está presente por meses ou anos, não apenas em fases específicas
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interfere no funcionamento diário da criança
Alguns exemplos comuns:
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dificuldade constante para terminar tarefas
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esquecimento frequente de combinados
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distração em praticamente todas as atividades
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agir sem pensar nas consequências
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dificuldade para esperar a vez
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frustração intensa diante de desafios
Mesmo quando existe rotina, orientação e apoio, esses comportamentos permanecem.
A importância da observação cuidadosa
A principal diferença entre desatenção escolar e TDAH está no padrão.
Enquanto a desatenção comum pode ser pontual e contextual, o TDAH é contínuo, consistente e impacta diferentes áreas da vida da criança.
Por isso, antes de concluir qualquer coisa, é importante observar o comportamento em diferentes contextos, conversar com a escola, analisar a rotina da criança, buscar avaliação profissional quando necessário.
Quando procurar ajuda?
É indicado buscar um profissional quando:
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a desatenção persiste por muitos meses
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há prejuízo no rendimento escolar
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surgem conflitos frequentes
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a criança demonstra sofrimento emocional
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o comportamento aparece em vários ambientes
A avaliação adequada ajuda a compreender o que está acontecendo e direcionar intervenções personalizadas, sem rótulos ou julgamentos.

Psico. Carolina Conte
Psicóloga infantil com especialização em intervenção precoce. Ainda, trabalha com psicanalise e comportamento.