Frustração infantil: por que meu filho não sabe perder e como posso ajudar?

A frustração infantil é uma das principais queixas de pais e educadores, especialmente quando a criança chora, se irrita ou perde o controle ao perder um jogo ou competição. Esse comportamento é mais comum do que parece e está diretamente ligado ao desenvolvimento emocional. Entender por que a criança não sabe perder é essencial para ajudá-la a construir habilidades de autorregulação, resiliência e tolerância ao erro.

Por que perder é tão difícil para a criança?

Perder é difícil até para os adultos — imagine para uma criança que ainda está desenvolvendo noções de regras, tempo, espera e autocontrole.
Quando a criança se frustra, grita, chora ou desiste após perder, ela não está “fazendo drama”. Ela está mostrando uma dificuldade real de lidar com a frustração, uma emoção natural e necessária para o crescimento.

Durante esses momentos, o cérebro infantil ainda não possui maturidade suficiente nas áreas responsáveis pelo controle emocional. Por isso, a reação tende a ser intensa, imediata e desorganizada.

O papel dos pais diante da frustração infantil

A forma como os adultos respondem a esses episódios influencia diretamente a capacidade da criança de aprender com a derrota.
Três atitudes são fundamentais:

1. Ensinar que perder faz parte da vida

Ganha-se e perde-se — e isso é parte do jogo. A criança precisa de experiências guiadas para entender que a derrota não diminui seu valor.

2. Validar o sentimento

Dizer frases como:
“Eu sei que você queria ganhar. Tudo bem ficar triste.”
Ensina que sentir não é errado — e que o adulto está disponível para ajudar.

3. Ajudar a pensar no depois

Quando a emoção diminui, surge a oportunidade de ensinar reflexão:
“O que podemos fazer diferente da próxima vez?”

Essa postura fortalece habilidades de pensamento, flexibilidade cognitiva e resolução de problemas.

O papel da TCC (Terapia Cognitivo-Comportamental) infantil

A TCC infantil é uma das abordagens mais eficazes para trabalhar frustração, impulsividade, tolerância ao erro e autorregulação emocional.
Ela ajuda a criança a:

  • Reconhecer e nomear emoções;

  • Entender os pensamentos que surgem diante da derrota;

  • Regular reações intensas;

  • Desenvolver estratégias para lidar com frustrações;

  • Transformar “perder” em oportunidade de aprendizado.

Com acompanhamento adequado, a criança aprende que perder não é o fim — é uma habilidade que pode ser treinada, entendida e fortalecida com o tempo.

A frustração infantil faz parte do desenvolvimento, mas não precisa ser vivida com sofrimento ou culpa.
Com acolhimento, limites claros e estratégias baseadas em psicologia e TCC, a criança aprende a enfrentar desafios com mais segurança, maturidade e equilíbrio.

Psi. Gabrielli Reboredo

Psicóloga infantil especialista em Análise do Comportamento Aplicada à Infância, Adolescência e Orientação parental.

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